quinta-feira, 10 de março de 2011

E assim parti. Sem rumo, com Gabriel Garcia Marquez na mochila, algumas pedras na mão, uns poucos tostões no bolso, algumas músicas na cabeça e o som de uma certa melodia outrora feita para mim, em pensamento. Bem, certamente, longas caminhadas nunca são fáceis, principalmente quando tem-se a companhia apenas de si mesmo. Correr na chuva sozinho, sentar no primeiro boteco que encontrar para curar amores vazios e divagar sobre Fernando Pessoa e depois ler uma notícia qualquer nas páginas do Plataforma Arquitectura. Dentre tantas confissões, dramas e gaitas, eu me sinto aliviada; pelas bocas, pelas palavras, pelos desejos, pelos braços e abraços.




"Precisava aprender a ser menos urgente, diminuir a intensidade. Abstrair. Prender as feras, ser mais mansa. Falta um botão de pause por aqui, uma sinaleira interna. Falta algo para acalmar a alma. Eu não dou conta do vício de querer mais. Me aperte o OFF, me reinicie. Onde está a placa de DEVAGAR na minha cabeça? Uma formatação interna cairia bem. Alguém já tentou ser menos? Contraditório pedido, já que, pobre de mim não sou. Tenho avessos subliminares, escondidos, morando junto com a Dona inconstância. O sinal verde pisca e chama a inquietude. Sou fluídos, lápis borrado, mochila pronta para não ir. Percorro um sorriso de canto de boca, controverso. Felicidade sedutora. Cigarro aceso, tudo ON. Não aprecio vagos intervalos. Nada é senão agora, ás 3hs da madrugada. Rápido. Preciso parar, mas não abro mão de continuar correndo."